Um novo mundo precisa de novas escolas

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Hoje – Domingo, 1 de Junho é o Dia Mundial das Crianças. Um dia dedicado a todas as crianças do mundo, um dia dedicado ao futuro na nossa Terra.

As crianças serão os portadores da nova cultura. Queremos dedicar o estudo deste mês ao tema das crianças e da construção de novas escolas.

Como textos de estudo, enviamos o capítulo “Crianças em Comunidade” de Dieter Duhm (excerto do livro “The Sacred Matrix” (A Matriz Sagrada) e “10 Conceitos Chave da Escola da Esperança” de Oskar Eckmann.

Escola da Esperança é o nome da primeira escola internacional na região do Alentejo em Portugal, que pretendemos inaugurar oficialmente neste Outono em Tamera. A Escola da Esperança constitui um aspecto importante do primeiro Biótopo de Cura que emerge em Tamera, demonstrando um novo modelo educacional para crianças e adolescentes. A escola apoia o poder directo e autêntico que as crianças as crianças possuem para a paz e apoia o crescimento deste poder. Esta oferece às crianças um conhecimento para o futuro que não se direcciona para os currículos formais, mas que segue as questões e a empatia natural dos jovens seres humanos. Convidamos-vos a estudar e a conhecer o conceito da Escola da Esperança. Este não é apenas o conceito de uma única escola em Portugal, e incorpora os pensamentos basilares de um novo formato de educação em geral. Para mais informações, leiam o texto de estudo em anexo, consultem o seu novo site: www.escola-da-esperanca.org, e vejam o seguinte documentário de 12 minutos: “Escola da Esperança – Vision for a School of Hope, (Tamera, Portugal)“ (Visão para uma Escola de Esperança).

Um novo mundo precisa de novas escolas. A “Escola” como é geralmente conhecida e ainda actualmente praticada formalmente, emergiu das noções educacionais do Século XIX, cuja estrutura deriva do sistema militar. Os seus métodos são frequentemente inúteis para o desenvolvimento de seres humanos responsáveis, com pensamento independente, e com a capacidade de amar. Não se trata tanto de um espaço de aprendizagem, mas antes de uma instituição que serve a reprodução da ordem social existente – onde todas as crianças são obrigadas a participar. No decurso de oito, dez, ou treze anos a escola transforma jovens humanos curiosos e de coração aberto em cidadãos justificados, consumidores indiferentes, e participantes “competitivos” do mercado de trabalho. Esta é a dinâmica geral, embora existam obviamente excepções. Sem observar os mecanismos do sistema escolar (medo do castigo, pressão para o desempenho, ritmos monótonos, memorização de conteúdos livrescos, notas escolares, etc.) é difícil compreender o porquê das pessoas se submeterem voluntariamente às regras e costumes de uma sociedade que nem serve as suas necessidades, nem segue princípios humanitários. A repressão da tendência natural para aprender, da curiosidade e da alegria da descoberta na criança é – somado à repressão dos seus impulsos para o movimento e da sua sexualidade – uma das condições mais elementares para a governabilidade do adulto.

No seu livro pioneiro “Deschooling Society” (Des-escolarizando a Sociedade) (1971), Ivan Illich escreve,
“De facto, a aprendizagem é a actividade humana que precisa de menos manipulação por parte de terceiros. A maior parte da aprendizagem não é resultante da instrução. É antes o resultado de uma participação sem restrições num ambiente que faça sentido. A maioriadas pessoas aprende melhor na presença do tema e da questão, e no entanto as escolas fazem com que as pessoas identifiquem o seu crescimento cognitivo com planos elaborados e manipulação. Sempre que um homem ou uma mulher aceitam a necessidade de uma escola, ele ou ela tornam-se presa fácil para outras instituições. Assim que os jovens tenham permitido que a sua imaginação seja formatada pela instrução curricular, estão condicionados pelos planeamentos institucionais de todos os tipos. A “instrução” sufoca o horizonte das suas imaginações. (…)

As pessoas que se submetem aos critérios de outros para medir o seu próprio crescimento pessoal, rapidamente aplicam os mesmos critérios a si próprios. Estas pessoas deixam de ter de “ser colocadas no seu lugar”, porque em vez disso elas colocam-se a si próprias nos intervalos que lhes são atribuídos, espremem-se para entrarem nos nichos aos quais foram ensinados a procurar, e, durante este processo, empurram também os seus companheiros para os seus lugares, até que tudo e todos encaixem.

As pessoas que foram espremidas pela escolarização até diminuírem a sua dimensão, deixam que as experiências não-quantificadas lhes escapem entre os dedos. Para estas pessoas o que não pode ser medido torna-se secundário e ameaçador. Elas não precisam que a sua criatividade seja roubada. Sob a influência da instrução elas desaprenderam a “fazer” as suas coisas ou a “serem” elas próprias, e passam a valorizar apenas o que foi feito, ou o que é permitido fazer.”

Qual é o aspecto que uma escola tem, quando é orientada para o desenvolvimento individual da criança, e apoia o seu impulso para aprendizagem – em vez de substituir isto com funcionalidades socialmente impostas??

Seguidamente temos um excerto do conceito escolar da Escola da Esperança: “A aprendizagem é um processo natural da vida que acontece por si só, porque a vida em si está alinhada com o desenvolvimento contínuo e com o melhoramento. A aprendizagem não é linear, move- se antes em oscilações ao longo de uma linha de tensão: uma atracção irresistível à qual chamamos interesse, curiosidade, ou motivação intrínseca. Para ser eficiente, um sistema de ensino tem de ser conduzido por estes movimentos da vida.”

A Escola da Esperança baseia-se em mais de dez anos de preparação e pesquisa na “República das Crianças” em Tamera. Um aspecto essencial da educação nesta escola consiste no trabalho com teatro e viagens políticas. As crianças e os jovens utilizaram o teatro para exprimir os seus sentimentos e a sua posição em relação à situação do mundo. Elas usam este meio para fazer ouvir a sua voz compassiva e para difundir esta voz no mundo. É esta categoria primeva de empatia natural pelo destino dos animais e dos seres humanos, que podemos encontrar nas crianças e que pode abrir novamente os corações fechados dos adultos. Na seguinte ligação encontrarão um pequeno vídeo comovedor da peça de teatro dos jovens de Tamera, juntamente com a comunidade de paz ‘San José de Apartadó’, que apresentaram na capital Colombiana, Bogotá em 2010: https://www.youtube.com/watch?v=z3gVAsov9KA

A Escola da Esperança tornar-se-á um lugar de aprendizagem para as crianças da região, para as crianças da comunidade de Tamera, e para as crianças e jovens de todo o mundo. No ano passado entregámos a candidatura para o reconhecimento oficial da escola às autoridades portuguesas. Oramos e esperamos que esta candidatura seja aceite o mais brevemente possível, para que os primeiros alunos possam começar a inscrever-se na escola já em Setembro. Para termos sucesso nisto a Escola da Esperança precisa – adicionalmente ao “sim” das autoridades – de apoio financeiro para construir os espaços necessários, para empregar pessoal, e para comprar materiais de aprendizagem. Todas as contribuições monetárias são bem-vindas! Pedimos que usem as vossas redes para divulgar informação relativa à Escola da Esperança, para que muitas pessoas fiquem a conhecer este projecto e para que o mesmo receba o apoio que necessita para ser manifestado.

Para concluir, queremos convidar-vos calorosamente: De 1 a 10 de Agosto de 2014, decorrerá em Tamera a 20a Universidade Internacional de Verão. Sob o título “Terra Nova – Aliança Global para a cura da Terra” convidamos activistas, decisores, jornalistas, músicos, artistas e investigadores de todo o mundo. Convidamos particularmente todos os participantes da Escola Terra Nova a utilizar este espaço como ponto de encontro, estabelecendo ligações entre os diferentes grupos, e para se fortalecerem a si próprios. Convidamos à co-criação de uma aliança global para um futuro sem guerra. A Universidade de Verão, com a duração de 10 dias, é uma experiência comunitária intensa e um espaço para planeamento estratégico e trabalho criativo. Num leque de grupos diferentes queremos desenvolver respostas às seguintes questões:

Como levar a cabo um novo movimento de despertar, apesar dos sistemas avassaladores de violência?
Como direccionar o fluxo de dinheiro para a implementação de novos modelos para o futuro? Como espalhar nova informação?

Como tirar proveito dos meios de informação e da internet?
Como pode a Escola Terra Nova tornar-se num movimento global?

Para mais informações, leiam o convite completo em: http://www.tamera.org/what-is-tamera/ visitors3/events/su-2014/. Aguardamos com entusiasmo pela vossa participação!

Desejamos-vos um mês de estudo inspirador e estamos curiosos por receber as vossas questões e comentários.

Em nome das crianças.
Em nome do amor por todas as criaturas. Pela Terra Nova.

Martin Winiecki

 

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