O Nascimento de uma Nova Era

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Capítulo do livro : Terra Nova. Globale Revolution und Heilung der Liebe (Terra Nova. Revolução Global y Cura do Amor)

Não vivemos apenas num mundo de crescente barbárie, mas também em tempos nos quais as forças de renovação se tornam cada vez mais visíveis. É com surpresa e alegria que testemunhamos o Papa Francisco atacar a totalidade do sistema capitalista e não apenas alguns dos seus aspectos individuais, declarando o modelo económico dominante como “injusto desde a sua raiz”, sublinhando que “tal economia mata”. À medida que a mensagem de revolução se infiltra até no Vaticano, outra elites poderiam também repensar a sua posição.

O sonho de um novo mundo não é apenas um desejo subjectivo, mas consiste numa autêntica matriz de uma vida diferente, que se encontra enraizada nas estruturas da realidade; trata-se de uma necessidade e possibilidade objectivas. A utopia concreta é uma realidade latente contida no universo, tal como a borboleta é uma realidade latente contida na lagarta. Ela encontra-se na estrutura do nosso mundo físico e biológico, nos nossos genes e na nossa orientação ética mais profunda. No contexto de um trabalho de paz profundo, o que é relevante não é corrigir defeitos isolados dentro das estruturas existentes; é necessária uma mudança fundamental de sistema. A máquina social actual não será corrigida através da alteração de certas componentes individuais, dado que toda a máquina foi à partida construída incorrectamente.

Para reverter esta situação, não precisamos apenas de mega-cidades ou de trilhões de dólares em equipamentos tecnológicos que possibilitem a colonização de Marte, por mais interessante que tal possa ser; precisamos de conceitos inteligentes para uma nova coabitação do planeta Terra. Não precisamos de reformas, mas de uma nova direcção para a evolução humana. É provável que estejamos perante a maior revolução da história. Trata-se de um processo planetário, cujo desfecho permanece incerto. A mesma humanidade que enviou uma nave espacial para Marte, equipada com um laboratório digital, poderia também desenvolver um novo conceito para uma nova existência planetária não-violenta. Nos capítulos que se seguem, serão propostas diversas componentes deste conceito.

Podemos à partida referir uma condição inicial, fundamental e universalmente aplicável para um futuro humano: o novo caminho requer a reintegração da existência humana nas leis fundamentais da vida, da comunidade, do amor e da Terra. A esta reintegração pertencem determinadas leis éticas, sociais e ecológicas. Toda a violência que infligimos sobre as nossas co-criaturas irá, a longo prazo, regressar a nós em forma de doença ou insanidade. A futura civilização será livre de qualquer crueldade. As plantas e os animais são parceiros de cooperação, na tarefa de criar uma nova forma de viver na Terra. As leis da vida social e as leis da criação precisam de se unir para que a cura global possa ocorrer. Existe um mundo que nós criámos e existe um mundo que nos criou. Estes dois mundos têm de se unir. Essa é a meta da viagem.

Para efectuarmos trabalho de cura global precisamos essencialmente de duas fontes de vida: água saudável e amor vital. A água é para a natureza aquilo que o amor é para o ser humano. Através da cura da água, curamos a natureza; através da cura do amor, curamos a humanidade. A cura da água e a cura do amor exigem que os sistemas sociais existentes sejam virados do avesso (raiz latina: revolução). Em ambas as áreas observamos que as mesmas leis basilares da vida se encontram em contradição com as leis basilares do capitalismo. A nova era desenvolve-se na medida em que as leis basilares da vida são descobertas, percepcionadas e seguidas pela humanidade.

Para sermos capazes de trilhar o caminho para um futuro humano, precisamos de modelos convincentes. Estes mostrariam como a coexistência humana poderia enraizar-se nos campos de energia universais da vida. Assim que um modelo funcional é estabelecido em algum lugar – um modelo vivo para terminar com a guerra entre os géneros, para a cura do amor, para a cooperação com a natureza, e para a solidariedade para com todos os seres – torna-se disponível um novo ponto de referência no diálogo internacional. Em todo o mundo, os projectos de paz precisam de uma nova base a partir da qual possam pensar e falar. Trata-se de um salto quântico no pensamento político. Para isso temos de aumentar a nossa concentração no trabalho interior, pois é a partir do mundo humano interior que surge a guerra e o conflito. Quanto mais profundamente compreendermos os temas globais, mais profundamente reconheceremos o papel que neles desempenhamos. Podemos encontrar em nós, no nosso estilo de vida, nas nossas comunidades, e até entre amigos, o embrião de tudo aquilo que lamentamos neste mundo. Enquanto as estruturas interiores não forem purificadas da barbárie do passado, continuaremos a reproduzir essa barbárie ao nível externo. Colocando-o bruscamente, enquanto houver mentira, traição, medo e violência no amor, continuarão a existir exércitos, indústrias militares e comércio de armas. Somos incongruentes quando nos juntamos a protestos pela paz, enquanto (secretamente) nos encontramos cheios de raiva. Quando começamos a amar a comunidade em que vivemos, seremos testemunhas de uma comunidade transformada e mais bela no dia seguinte. Se o mundo exterior reage pacificamente ou violentamente relativamente a nós, depende em grande parte dos pensamentos e emoções com os quais o encontramos. Pensamentos de aversão ou vingança – independentemente de quão subtis e secretos – geram medo, violência e guerra. Com cada pensamento de esperança e reconciliação, privamos a guerra do seu combustível. Desta forma, participamos diariamente no nascimento de uma nova era. Temos de criar novas formas de vida onde estejamos prontos e predispostos a alcançar esta transformação dentro de nós.

Marx estava correcto quando afirmou que são as condições sociais que determinam a consciência; contudo, este falhou em reconhecer que as condições sociais foram primeiramente geradas pela consciência humana. Que mais poderia tê-las criado? Este é o “factor subjectivo”, o mundo interior dos pensamentos, imagens e impulsos, que geram tudo o que depois vemos diante de nós como produto final. É então lógico que se pretendemos transformar estes resultados é necessário transformar a consciência, i.e. o mundo interior. Biótopos de Cura são centros para esta transformação de consciência, núcleos de cristalização para a transformação global.

Hoje, a consciência universal conduz-nos a um novo modelo para a vida, onde os valores fundamentais da existência humana – tais como a verdade, amor, solidariedade, lar, lealdade e fé – possam ser elevados a um outro nível, reflectido e autónomo. Existe uma sacralidade inerente à vida, e uma ordem mental, espiritual e ética correspondente que não devemos ignorar, ainda que esta tenha sido manipulada pela igreja e o estado, e de forma extrema no caso do fascismo. Precisamos de comunidades nas quais possamos coexistir de forma consciente e intencional com os poderes sagrados do universo e do amor. Cura significa ligarmo-nos novamente com o campo energético original da vida. Isto aplica-se ao organismo individual, ao organismo da comunidade e ao organismo de toda a humanidade.

Será que o Mundo Ainda Pode ser Salvo?
Inúmeras tentativas de curar o mundo foram realizadas sem sucesso. Talvez nunca tenhamos testemunhado tanto sofrimento neste mundo. Talvez nunca tenha existido tanta morte, tanto pesar, e simultaneamente tanta falta de empatia. A ubiquidade e intensidade da dor existente no mundo supera a nossa capacidade empática.

Será que o mundo ainda pode ser salvo? Será que a Terra ainda posse ser curada? Haverá alguma hipótese realista para um futuro sem guerra? Hoje em dia, estas questões são mais frequentemente recebidas com sorrisos tortos do que levadas a sério. Os debates actualmente realizados sobre mudanças e reformas para um mundo melhor, começam maioritariamente com a premissa de que as estruturas fundamentais do mundo político e económico têm carácter imutável e consequentemente não podem ser alteradas. Termos como “mercado”, “rendimento”, “banco”, “orçamento militar” tornaram-se parte do mantra sagrado deste sistema e não podem ser questionados. À partida, as tentativas de reforma operam em limites estreitos, sobrando pouco espaço para mudanças estruturais.
Será que o mundo ainda pode ser salvo? A célebre autora Naomi Klein responde, “Sem dúvida. Será possível fazê-lo sem desafiar a lógica fundamental do capitalismo desregulado? Nem pensar.” Assim é. Para compreender como e por que motivo a salvação é ainda possível no contexto das circunstâncias acima mencionadas, temos de abandonar as velhas categorias de pensamento político e entrar em esferas de pensamento moldadas por diferentes informações e outros parâmetros. No seu estado actual de deterioração, o mundo aparenta ter pouca possibilidade de cura, tal como um paciente que, de acordo com os médicos, sofra de uma “doença incurável”. Ainda assim, existem inúmeros casos de estudo de “curas milagrosas”. Para além dos parâmetros da medicina convencional, existem obviamente diferentes leis e poderes de salvação. Para além do corpo físico, o ser humano possui um outro corpo, que para fins de simplicidade chamo de corpo espiritual. Este é regido por leis diferentes das que conduzem o corpo material. Se conseguirmos introduzir a informação correcta no corpo espiritual, todo o organismo é transformado instantaneamente. Se por exemplo digo a uma pessoa tímida a coragem que nela vejo, libertam-se de imediato diferentes hormonas no seu organismo. A informação é recebida através do corpo espiritual, e os impulsos condutores correspondentes são de imediato transportados até ao corpo físico. Poderia aquilo que se aplica ao organismo individual aplicar-se ao organismo global? O organismo da humanidade como um todo tem também um corpo espiritual (noosfera), funcionando de acordo com princípios diferentes daqueles que se aplicam ao corpo material. Se nova informação é inserida na noosfera, todo o mundo é transformado. Esta é a hipótese basilar da Teoria Política de Tamera. O mundo pode claramente ser salvo, caso a informação correspondente seja inserida no sistema.

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