Parar os Incêndios Florestais de forma sustentável –

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– Criar Paisagens de Retenção de Águabaut

serveimageO verão de 2016 ficou marcado por um pico trágico em termos de incêndios florestais: 117 000 hectares de floresta foram destruídos e, ao longo do ano, o país viveu mais de 10 000 incêndios. Mais de metade de todos os incêndios florestais na Europa aconteceram em Portugal, que repetidamente teve de candidatar-se a apoio financeiro do Fundo de Solidariedade da UE. Cada incêndio significa um desastre para as pessoas e ecossistemas envolvidos. Os incêndios não destruíram apenas a base económica de muitos agricultores e proprietários de terrenos, destruíram também o lar de inúmeras plantas e animais e reduziram o nosso bem mais precioso: a biodiversidade.

Ainda que muitos incêndios tenham sido iniciados por incendiários ou resultem de descuido, é óbvio que os incêndios são uma consequência imediata das secas no verão, do abaixamento do aquífero, da perda de vegetação e do pouco cuidado. Uma paisagem verdejante bem conservada com florestas e culturas mistas, com fontes e riachos a correr durante todo o ano não arderia tão facilmente.
No Sul da Europa, habituamo-nos tanto às secas no verão que chegamos até a pensar que estas são de origem natural, mas este não é o caso. As secas de verão são o resultado da má gestão das terras a nível mundial: da desflorestação, do sobrepastoreio , de monoculturas agrícolas, impermeabilização do solo e do uso excessivo de águas subterrâneas para irrigação.
Algumas pessoas mais velhas ainda se lembram de como as fontes e os riachos corriam durante o verão, como as tempestades de verão refrescavam a terra a meados de Agosto e como as culturas mistas de árvores, pequenos pastos e terrenos davam rendimento durante o ano todo. Como podemos hoje em dia observar, por meio de alguns exemplos locais em diversas partes do mundo, é possível regenerar a paisagem e ao mesmo tempo criar uma base económica para os seus habitantes: através do restabelecimento dos ciclos regionais de águas pluviais pela retenção de água.

De todos os exemplos positivos ganhamos um conhecimento: para que possamos parar os incêndios florestais de uma forma sustentável temos que manter a água das chuvas de inverno no solo.
Um exemplo disto é a Paisagem de Retenção de Água de Tamera, no Município de Odemira: a terra, anteriormente àrida no verão, transformou-se num exuberante vale com pequenos lagos e charcos que encheram com as precipitações do inverno, rodeados por terraços com legumes e frutas que crescem ao longo do ano.
Em vez das água pluviais inundarem as estradas e aldeias a jusante, a água da chuva é coletada por barragens de terra, infiltra-se no solo, sobe o nível e alimenta as hortas. A água subterrânea não tem de todo que ser usada para irrigação, apenas a água da chuva.
Se este princípio, em combinação com uma versão moderna de “Montado” – a mistura tradicional de culturas de sobreiros, horticultura e pecuária – fosse aplicado pelo país, muitos problemas seriam resolvidos e menos propriedades arderiam.
Aconselhamos a leitura do texto do especialista em água Bernd Mueller sobre o novo paradigma da água:

O SEGREDO DA ÁGUA – A BASE PARA UM NOVO MUNDO
https://www.tamera.org/fileadmin/PDF/WasserSymposium_pt.pdf

“Caminhem a vossa Bacia Hidrográfica!” – De 2 a 12 de Outubro
Para testemunhar a situação a jusante, um grupo de 30 pessoas de Tamera e amigos irá participar numa Caminhada chamada “Walking Water”, percorrendo a sua bacia hidrográfica de Colos a Setúbal e testemunhando a situação da água no seu caminho. A bacia hidrográfica do Sado põe em evidência monoculturas agrícolas, irrigações para arrozais e plantações de oliveiras, poluição e contaminação. Ainda revela também vestígios de conhecimento tradicional e de homenagem à água: pontos de encontro comunitários à volta de poços, fontes sagradas, captação de água das chuvas e sistemas de irrigação, ambos tradicionais. Os golfinhos na bacia do Sado demonstram o quanto a água do rio Sado merece ser salva.
O grupo quer “caminhar a terra, explorar a sua bacia hidrográfica, conhecer as populações locais, ouvir as pessoas, ouvir os animais e as plantas, ouvir a água como um ser vivo, testemunhar a dor da natureza torturada e perspectivar uma região cujas comunidades assumem responsabilidade pela sua bacia hidrográfica.”
A iniciativa Walking Water, na Califórnia, serviu de inspiração para a Caminhada que visa focar-se num Novo Paradigma Global da Água.

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