SE A VIDA VENCER, NÃO HAVERÁ VENCIDOS

en de es pt-br
Uma mensagem de solidariedade de Tamera –
Centro de Investigação para a Paz, para Standing Rock

Em nome da bondade humana, expressamos a nossa gratidão pelos corajosos protectores da água e da terra que se encontram em Standing Rock. Este acampamento do povo Sioux e de outros povos nativos, acompanhado por activistas de vários outros acampamentos, é uma verdadeira luz de esperança num mundo que carece de perspectivas para o futuro. Em Standing Rock não se luta contra ninguém, mas defende-se o sagrado. Protege-se aquilo que necessita de ser protegido de forma a assegurar a nossa sobrevivência. Agradecemos pela vossa perseverança, apesar da brutalidade dos ataques a que têm sido submetidos; agradecemos por tomarem uma posição tão clara pela vida, neste conflito global entre as forças da vida e as do capital. Obrigado também aos espíritos dos búfalos e das águias, pela sua presença e pelo seu apoio visível. Através de Tamera e do projecto global dos Biótopos de Cura, procuramos apoiar a todo o custo esta tomada de partido.

O Dakota Access Pipeline é a síntese de uma cultura global que violou o equilíbrio da vida ao ponto da sobrevivência futura se tornar brevemente impossível neste planeta. Com a destabilização do clima, a poluição das águas e a destruição do sustento das populações, esta cultura aproxima-se inevitavelmente do seu fim. Nas suas profecias ancestrais, os povos Hopi e Lakota advertiram-nos que caso a cobra negra atravessasse o rio, o mundo chegaria ao seu fim. Ao tentar impedir a cobra negra do oleoduto de atravessar o Missouri, os protectores da água fizeram frente a uma indústria bilionária apoiada por governos, corporações, bancos, e pelos nossos próprios hábitos de consumo. Este movimento demonstrou uma resiliência incrível. Todas as tentativas de reprimir ou dispersar o acampamento acabaram por sair pela culatra e geraram mais solidariedade. No último fim-de-semana, mais de 2500 veteranos chegaram para proteger o acampamento de ser evacuado. Soldados que lutaram no Iraque perceberam então a insanidade do sistema que serviram e decidiram apoiar a resistência indígena. Muitos deles disseram que esta era a primeira vez que serviam de facto o povo Americano. O que acontece aqui marca possivelmente um ponto de viragem histórico; o início de um movimento muito mais amplo, pela renovação ecológica e social. O anúncio da interrupção da construção do oleoduto, emitido pelo Corpo do Exército, demonstra a força deste movimento. Este é um sucesso tremendo, mas ainda não é uma vitória. Sejamos claros: O governo pretende apenas redireccionar o oleoduto, e não cancelar a sua construção. Para esta luta – e todas as outras em inúmeros outros locais deste planeta – ser bem-sucedida no longo prazo, precisaremos de algo para além da resistência e das demonstrações de solidariedade. Precisaremos de abandonar toda esta cultura baseada na repressão dos outros, nos combustíveis fósseis e na destruição da natureza – e precisaremos de construir uma alternativa viável. Abandonar a indústria dos combustíveis fósseis não é nada menos que uma mudança global de eras.

Precisamos de um novo padrão para a vida humana na Terra. O velho padrão de vida baseou-se na exploração; o novo será baseado na cooperação. Podemos terminar com a velha era na medida em que conseguimos ver e activar a possibilidade de uma nova. Ao criar modelos descentralizados para a vida, a humanidade pode recuperar a autonomia que lhe foi roubada pelo mundo imperialista. Ao seguir a lógica da natureza, todos os seres deste planeta terão acesso gratuito à energia limpa, água vital e alimento saudável que necessitam. E ao estabelecer comunidades de confiança, a ferida aberta da humanidade será curada.

Para catalisar o nascimento de uma nova era, propomos a criação de uma rede global de centros de investigação para a paz. Chamamos-lhes “Biótopos de Cura” ou “Locais Globais do Futuro” – comunidades internacionais compostas por umas poucas centenas de pessoas que investigam e implementam os traços básicos de uma cultura não-violenta, em modelos coerentes e replicáveis. Em Portugal, tal modelo tem sido desenvolvido ao longo dos últimos vinte anos.

Em Terra Nova, o co-fundador de Tamera, Dieter Duhm, escreve “O sonho de um novo mundo não é apenas um desejo subjectivo, mas também uma autêntica matriz para uma vida diferente, enraizada nas estruturas da realidade; uma necessidade objectiva e uma possibilidade. A utopia concreta é uma realidade latente contida no universo, tal como a borboleta é uma realidade latente contida na lagarta.”

Para além do nosso mundo atormentado, existe uma outra realidade – o mundo da vida, do qual todos originamos. Para além de todas as alienações, todo o trauma e hostilidade, existe uma unidade original que partilhamos com tudo o que vive. Todos os seres estão unidos numa aliança sagrada. Juntos formamos a grande família que compõe a biosfera. Somos todos orgãos no mesmo corpo de vida. Já não podemos tolerar qualquer crueldade na Terra. Na nossa essência, somos todos indígenas neste planeta. A nova cultura planetária irá fazer despertar o conhecimento primordial inerente às culturas originais; o conhecimento sobre como estabelecer boas relações, em comunidade. A mudança de sistema pode acontecer de forma surpreendentemente rápida, quando uma comunidade planetária descobre e se alinha com o terreno universal no qual todos os seres são unos uns com os outros. É aqui que se encontra uma força maior que a violência – a força de vida que conduz o crescimento, a regeneração e a cura.Juntem-se à comunidade planetária em solidariedade com todos os que defendem o sagrado; fundem una nova civilização em aliança com todos os seres.

Nota adicional:Ligamos-nos com o que sucede em Standing Rock através do “Círculo de Força”, a nossa mediação político-espiritual que se realiza ao amanhecer de cada Segunda-Feira. Convidamos-vos a participar nesta oração ao nascer do sol. Apoiem Standing Rock a receber a protecção que necessita, para que o movimento se torne mais forte! Divulguem esta mensagem!Para mais informação sobre o “Círculo de Força”, visitem www.sabine-lichtenfels.com

Share your thoughts:

Your email address will not be published. Required fields are marked *